domingos existem para teu corpo cochilar nas minhas memórias, apesar dos contornos terem fugido com a banda e o passado não ter encontrado o caminho de volta. há sempre o silêncio no quarto, a vida que rumina lá fora, devagar, cada sílaba que deixou para trás.
não penso em você, como já disse, pois a ressaca é maior que o amor. por isso esse domingo não traz paz nem lençóis nem viagem. vem apenas e se sente estrangeiro. assina o livro de visitas da minha casa e corre direto pra área de fumantes.
se eu pergunto,
-não sei.
se eu discuto,
- sofismo.
e é assim o dia todo, uma penca de livros empoeirados e não lidos, a bicicleta solitária no cantinho do quintal, tudo que poderia ter sido e não foi, não é nem será. será que um dia escapo dessa vida que ora me emerge ora me expulsa?
fica a pergunta, mesmo que eu saiba que domingo é calado, duvidoso e nunca aprendiz.
um ia que nunca foi e um tu que permanece
domingo, 3 de agosto de 2014
segunda-feira, 14 de julho de 2014
1.
há muitas coisas que eu queria dizer só um pouquinho, sem transbordar. como acordar de um sonho bom e leve e perceber que ainda é possível não ter medo sem ter controle de nada. porque é isso que sinto agora: um transbordamento incontrolável com um medo indizível.
se eu pudesse imaginar há uns cinco anos que eu estaria assim, tão fora de alcance, teria ajoelhado e pedido pro tempo segurar as pontas e a vida calar a boca. só por uns momentos, pra que eu pudesse lembrar agora como é não me preocupar em absoluto com o que vem e não chorar pelas madrugadas afora.
mas não é possível redesenhar o que já foi jogado fora, e a gente tenta lidar com o que tem. mas o que tenho agora são apenas incertezas ou passos desnorteados. há noites não consigo encostar a cabeça no travesseiro com serenidade e já nem consigo recordar o dia que quis acordar.
solidão não é estar sozinho no mundo ou não ter quem abraçar. solidão é um estado permanente, uma prisão perpétua sem alcance e visitas. é um pássaro que perdeu o voo, é seu filho que nasceu sem asas. é essa a palavra que melhor define esse exato silêncio que pulsa em mim: solidão? ou é distância, ermo, atacama?
eu sabia que essa sensação voltaria. ela estava ali, esperando ansiosamente o momento que eu deixaria escapar uma brecha no meu corpo. quando sai, cobre a pele de feridas, descostura as cicatrizes e cria novas para depois poder recriá-las mais fundo.
umas das piores coisas que existe é nascer extremo. é andar sempre na corda bamba. ou se vive ou se morre. é querer o mundo ou não querer nada. vamos fugir agora, senão nunca mais. é o vício ou a indiferença.
os dois polos fazem sofrer. um porque não se aguenta a explosão, o outro porque não se suporta o silêncio. e eu não consigo ser um ponto de equilíbrio para nada, muito menos pra mim mesma.
se eu pudesse imaginar há uns cinco anos que eu estaria assim, tão fora de alcance, teria ajoelhado e pedido pro tempo segurar as pontas e a vida calar a boca. só por uns momentos, pra que eu pudesse lembrar agora como é não me preocupar em absoluto com o que vem e não chorar pelas madrugadas afora.
mas não é possível redesenhar o que já foi jogado fora, e a gente tenta lidar com o que tem. mas o que tenho agora são apenas incertezas ou passos desnorteados. há noites não consigo encostar a cabeça no travesseiro com serenidade e já nem consigo recordar o dia que quis acordar.
solidão não é estar sozinho no mundo ou não ter quem abraçar. solidão é um estado permanente, uma prisão perpétua sem alcance e visitas. é um pássaro que perdeu o voo, é seu filho que nasceu sem asas. é essa a palavra que melhor define esse exato silêncio que pulsa em mim: solidão? ou é distância, ermo, atacama?
eu sabia que essa sensação voltaria. ela estava ali, esperando ansiosamente o momento que eu deixaria escapar uma brecha no meu corpo. quando sai, cobre a pele de feridas, descostura as cicatrizes e cria novas para depois poder recriá-las mais fundo.
umas das piores coisas que existe é nascer extremo. é andar sempre na corda bamba. ou se vive ou se morre. é querer o mundo ou não querer nada. vamos fugir agora, senão nunca mais. é o vício ou a indiferença.
os dois polos fazem sofrer. um porque não se aguenta a explosão, o outro porque não se suporta o silêncio. e eu não consigo ser um ponto de equilíbrio para nada, muito menos pra mim mesma.
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