domingo, 3 de agosto de 2014

2.

domingos existem para teu corpo cochilar nas minhas memórias, apesar dos contornos terem fugido com a banda e o passado não ter encontrado o caminho de volta. há sempre o silêncio no quarto, a vida que rumina lá fora, devagar, cada sílaba que deixou para trás.
não penso em você, como já disse, pois a ressaca é maior que o amor. por isso esse domingo não traz paz nem lençóis nem viagem. vem apenas e se sente estrangeiro. assina o livro de visitas da minha casa e corre direto pra área de fumantes.
se eu pergunto,
-não sei.
se eu discuto,
- sofismo.
e é assim o dia todo, uma penca de livros empoeirados e não lidos, a bicicleta solitária no cantinho do quintal, tudo que poderia ter sido e não foi, não é nem será. será que um dia escapo dessa vida que ora me emerge ora me expulsa?
fica a pergunta, mesmo que eu saiba que domingo é calado, duvidoso e nunca aprendiz.

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